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Ideias São Superestimadas

Postado por Raphael Ozawa em 24/05/2013

Eu e meus companheiros tivemos tempos atrás uma reunião para decidir como deveria ser o site da Felloway: se deveria ser mais sério ou mais descontraído, focado em produtos ou na companhia, esse tipo de dúvida. No fim decidimos que ele deveria ser uma conexão entre nós e nossos parceiros, colaboradores, amigos e fãs (se algum dia tivermos fãs).

Uma das primeiras coisas que decidimos foi colocar um blog no site e nós três concordamos em escrever nele regularmente. Não que isso fosse se tornar uma obrigação, mas sim um hábito. Escrever alguma coisa, escrever qualquer coisa. Sem regras ou obrigações. Uma palavra ou duas mil.

Então agora estou eu aqui com esta página virtual vazia em minha frente e com um traçinho piscando esperando que eu comece a teclar. Mas não consigo. Não sei por onde começar.

Entretanto, agora que tenho trinta e um, finalmente sei como contornar isto.

Volte no tempo para quinze anos atrás, estou no ensino médio. Pagando de criativo, eu sei desenhar, sei escrever, mas me pergunte se eu faço isso regularmente. Não, nem um pouco. Fico sonhando sobre o dia em que escreverei o roteiro de um filme, ou um livro, farei as ilustrações deste livro, o transformarei numa graphic novel, interligarei tudo e me tornarei rico. Sou um cara de ideias, conjuro conceitos malucos do nada e peço ajuda dos meus amigos para torná-los realidade. No fim, nunca estou satisfeito com o resultado, mas tenho sorte de ter amigos pacientes e talentosos que, de qualquer forma, acabam fazendo do jeito deles.

Pule para a época da faculdade. Sim, sim, estou me formando em Publicidade e Propaganda e tenho planos de me tornar um Diretor de Criação em poucos anos. Me entedio fácil com a rotina diária de pequenas agências, e logo desisto. Decido ser designer gráfico autônomo, mas eu quero criar as identidades visuais de grandes empresas, não perder meu tempo diagramando folhetos de mercadinhos de bairro. Claro que é exatamente isso que eu acabo fazendo.

Alguns empregos, cargos, empresas e anos depois eu finalmente percebi: ter ideias é menos importante do que executá-las; assim como os destinos são menos enriquecedores do que a jornada em si. Ao sonhar com grandes ideias, frequentemente não levamos em conta se temos o conhecimento, dinheiro, tempo, recursos, experiência de vida, especialização profissional, influência, contatos e tantos outros fatores para torná-las realidade de forma tão mágica quanto sonhamos. Então, cedo em nossas vidas, tentamos fazer algumas coisas, elas não saem conforme o esperado, e rapidamente esquecemos estes episódios, mas parecemos nunca esquecer o medo da imperfeição, das críticas, do fracasso. Esses medos nos rondam em nosso subconsciente e, em oposição, nossas ideias acabam sendo mais atraentes do que a execução delas. Mais seguras. Sem perceber começamos a evitar a realmente realizar coisas.

Quando nos damos conta desse medo inconsciente, finalmente temos uma escolha consciente de perseverar. No início não escreveremos, desenharemos, projetaremos, administraremos ou qualquer outra coisa tão bem quanto gostaríamos. Mas vamos descobrindo as dificuldades de fazer, as barreiras, as armadilhas. Então conheceremos pessoas que nos ajudarão, as coisas começarão a se tornar mais fáceis apenas através da repetição, e constantemente nos tornaremos melhores. De repente, nossa ideia inicial, nosso sonho, acaba se tornando menos importante do que a jornada de chegar até ele. Começamos a celebrar cada passo adiante, cada realização. E a soma de todas essas incontáveis pequenas vitórias se torna tão formidável, que acabamos esquecendo de esperar pela grande celebração somente no final.

Agora que tenho trinta e um, finalmente sei como contornar este medo. Eu sei que o primeiro passo de uma jornada é sempre o mais difícil. E que para escrever um post você tem apenas que começar a escrever. Se você perseverar, o post se escreverá sozinho.

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