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Sobre criatividade e bloqueio

Postado por Beatriz Correia em 24/02/2014

Se você trabalha com criação, provavelmente já passou por alguma situação de tentar desenvolver um conceito ou ideia no material que o seu cliente disponibilizou e deparou-se com um tipo de "bloqueio" criativo. Vou dividir com você quais as soluções que encontrei para esse problema a curto e longo prazo.

Antes de mais nada, como você definiria "criatividade"?

Pessoalmente, eu acho que a criatividade está sempre ligada à quebra de paradigmas. Todos temos conceitos e opiniões formadas - modelos e padrões - que filtram a percepção que temos do mundo a nossa volta. Esses conceitos são resultado da soma das nossas experiências cotidianas. Cada novo conjunto de informações pode ser quebrado e recombinado gerando novas ideias ( e descobertas) sobre nós mesmos e o meio em que vivemos.

Se você parar para analisar algum estudo sobre o tema, vai notar que o maior potencial de criatividade por número de indivíduos de um grupo é encontrado entre crianças muito pequenas, cujas mentes ainda não foram "lapidadas" pelos padrões rígidos da sociedade. E esse não é o único fator que potencializa a mente criativa delas. A todo momento, crianças passam por experiências totalmente novas. O mundo é uma novidade para elas enquanto ainda são jovens e elas têm a sorte de sempre se surpreenderem com novos conjuntos de informação.

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Eu acho essa observação sobre o comportamento das crianças muito interessante e educativa. Mas vamos tentar enxergar as coisas de uma forma mais próxima da nossa área de atuação.

Se nós compararmos a nossa capacidade de armazenamento com a de um computador, poderíamos dizer que "quanto mais cheia está a memória, menor o desempenho da máquina?". Isso, em parte, pode ser verdade. Mas, diferente de uma máquina, não podemos fazer uma “formatação”. Ou podemos?

Uns anos atrás, quando eu usava meu Windows XP guerreiro, de tempos em tempos, eu tinha que usar um programinha chamado “ccleaner” para fazer uma breve limpa nos dados de internet. Depois disso, meu browser voltava a funcionar mais rapidamente. Eu entendia que ele tinha que lidar com muita informação para executar tarefas simples e depois da limpeza ele conseguia “focar melhor” no que ele estava fazendo. Claro que isso era pura metáfora da minha parte, como humilde internauta regular.

Voltando à analogia do cérebro em relação ao computador, imagine que você está encarando um problema de criação e sua mente não consegue extrair uma solução para ele. Não é olhando para ele e repetindo mentalmente as informações que você tem para a construção dessa ideia, que ela vai magicamente surgir. Se você já tentou de tudo, de mapas conceituais à técnicas de brainstorm, é hora de parar o que você tá fazendo e mudar o foco.

Sim. Eu acho que é importante você parar de torcer os seus neurónios e fazer uma pausa. Aqui na He:labs, essa é uma ótima oportunidade para gastar energia no Pinball, por exemplo. Ou em qualquer outra coisa que te prenda a atenção por algum tempo e que seja totalmente à parte do que você estava focado anteriormente.

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O que você vai fazer nesse momento é extremamente pessoal e varia de pessoa para pessoa. Conheci uma designer sênior - pela qual tenho muita admiração até hoje - que quando chegava nesse ponto, ela gostava de ir na piscina do prédio e nadar por 20 minutos. E sempre voltada com as soluções.

Eu não sei explicar cientificamente como isso acontece, mas quando você muda o foco, sua mente não para de trabalhar para buscar a solução daquele problema. Apenas alivia a tensão se focando em um segundo ponto que é ganhar pontos no Pinball ou controlar o fôlego de uma extremidade à outra da raia em que você está nadando, por exemplo.

Nesse momento de concentração, você “esvazia” sua mente do excesso de informações que estava te prejudicando no momento anterior. Se concentrar em uma atividade trivial é uma forma de “meditação”.

Em outras palavras, você “faz uma limpa nos arquivos recentes”. Essa é a minha solução a curto prazo.

Agora vamos pensar em outro quadro. Você trabalha com criação e vive disso. O que vou dizer agora pode ser um pouco clichê e soar como uma palestra motivacional ou de auto-ajuda, mas é algo que eu realmente acredito.

Assim como a das crianças que eu citei alguns parágrafos acima, sua mente precisa ser estimulada por coisas novas. Faça coisas, vá a lugares, experimente algo completamente fora da sua rotina. Quanto mais você se conformar com o que você tem, o que você conhece, menos você vai desenvolver sua criatividade.

Não faz muito tempo, em um evento de tecnologia, assisti a uma palestra sobre processo criativo que reforçava essa ideia. Não vou dizer que me lembro de tudo sobre aquela palestra, mas uma frase me marcou muito e acho que faz muito sentido, pelo menos para mim, espero que para você também. O palestrante dizia o seguinte: “Qual foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?”. Isso tem muito a ver com a postura que cada um tem em relação à própria vida.

E essa é a minha solução à longo prazo.

Esse é meu primeiro post pro blog da HE:labs, espero que tenha sido útil para você de alguma forma. Se você conhece outras técnicas para contornar o bloqueio, sinta-se à vontade para dividir conosco através dos comentários.

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