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Design é Como Funciona

Postado por Raphael Ozawa em 11/06/2014

Steve Jobs disse em 2003 para o New York Times:

“As pessoas pensam que é esse verniz… que são entregues aos designers esta caixa e lhes é dito: ‘Torne-a bonita!’ Não é isto que achamos que é design. Não é apenas a aparência e a sensação. Design é como funciona."

Nas mais diversas áreas, mas também no mundo dos apps para dispositivos móveis, muitos acham que o designer é o profissional encarregado em deixar o app bonito. É ele quem vai escolher as cores, as fontes de texto, o layout.

Sim, tudo isto é verdade. Mas o trabalho dele não acaba aí. Às vezes, surpreendentemente, pode nem chegar até aí.

Antes da computação, quase todas as máquinas tinham um finalidade bem específica e muitas vezes seu próprio nome denotava a utilidade: máquina de escrever, máquina de costura, geladeira, automóvel…

O computador, apesar de seu nome indicar que era uma máquina-de-fazer-contas, fez muito mais do que isso. Ao longo do tempo as contas se tornaram invisíveis ao usuário e cada vez mais ele passou a substituir outras máquinas, pois cada software inserido nele o tornava uma nova máquina. Ele podia ser uma máquina de escrever, uma ferramenta de edição de filmes, um telefone, uma enciclopédia, ou até voltar a ser uma calculadora, se necessário.

Mas havia um empecilho. Sempre era necessário saber usar o computador, para poder adaptar a função desejada ao mouse e o teclado.

Com o advento e evolução dos dispositivos móveis hoje estamos na aurora de um mundo pós-PC. Um mundo onde o computador perdeu o mouse e o teclado e se desmembrou em smartphones, tablets, sensores residenciais, câmeras, microfones, sensores corporais vestíveis, entre outros.

Neste novo mundo as pessoas não precisam mais aprender a mexer em um computador para usá-lo. A função do computador pós-PC é ser invisível, para dar poder ao usuário. Em uma videoconferência através de um tablet, o ideal é que quem está usando esqueça do software naquele momento e que o tablet se torne uma janela que liga uma pessoa à outra distante. No fim, o que vai marcar e fidelizar o usuário não o Skype, o Hangout ou o FaceTime que for mais bonito, mas sim aquele que deu a melhor experiência ao usuário.

Num mundo pós-PC muitas vezes o vínculo entre máquina e homem chega ao nível emocional.

Muitos clientes pagam o serviço de designers para desenhar belos “programas de computador”; muitos designers acham que sua função é essa. No mundo pós-PC os designers tem que estar preparados a não desenhar, a saber que muitas vezes a resposta correta a um erro não é uma bela mensagem de alerta; mas sim um som, uma vibração, uma animação que faça com que o campo que recebeu o erro expresse emoção humana. Estar preparado para entender que às vezes a melhor interface é aparentemente não ter interface; que algumas vezes o melhor e mais belo formulário para perguntar algo ao usuário é não perguntar nada; é correlacionar dados do GPS, da conta do Facebook, fazer o smartphone conversar com um sensor no relógio do usuário, e no fim, somar tudo para obter a resposta sozinho.

Há um mês atrás fui selecionado para receber um protótipo Alpha do Myo e ter acesso antecipado às ferramentas e documentação de desenvolvimento dele.

Com o time da HE:mobile estamos no início da criação de um app que o interligará com iPhones e smartphones Android. O app terá uma sucinta interface na tela do smartphone com belas cores, fontes de texto e layout. Apesar disto, hoje estou desenhando mais movimentos, gestos, e sons do que qualquer interface de tela.

No fim, estamos desenhando experiências.

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