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Design e consistência

Postado por Tatiane Lima em 13/05/2015

“it's very easy to be different, but very difficult to be better.”
Jonathan Ive

Me formei em uma faculdade de design gráfico voltada em formar profissionais para a publicidade e impressos. O curso foi pensado para atender o mercado de Salvador, cidade em que eu vivo. O reflexo disso é que a grande maioria de meus ex-colegas de classe trabalharam ou trabalham em agências de marketing e publicidade. Inclusive eu!

Trabalhei em agências durante algum tempo e, como na universidade, fui influenciada a criar peças gráficas que causassem aquela sensação de ver uma obra de arte. Impressionar o cliente com um "belo design" era meu objetivo final! O job precisava ser aprovado o mais rápido o possível e eu precisava sentir orgulho de ter feito algo diferente.

Logo quando comecei a trabalhar com mobile trouxe este mind-set e sempre questionava por que não fazer apps como os que eu via no Pinterest e no Dribbble. E estes conceptual design, por mais bonito que me parecessem, provavelmente nunca seriam implementados e usados.

Ao longo do tempo que eu fui me interessando, estudando e trabalhando com mobile fui percebendo que eu esbarraria com problemas que aqueles concepts não tiveram: tempo de produção versus viabilidade técnica, fluxo de telas, marketing, cliente e o mais importante: o usuário.

Desses problemas, eu imaginava que o tempo de produção e a viabilidade seriam os maiores vilões para fazer a tão sonhada interface artística e inovadora, mas não era. O maior vilão era a minha mãe! Hoje, antes de pensar em uma funcionalidade nova, ou não utilizar alguma regra das guidelines da Apple ou do Google eu penso nela.

Sim, em minha mãe! Uma senhora de 56 anos que tinha medo de usar o computador e hoje consegue usar a internet e redes sociais (MEDO!), então, depois que ganhou um smartphone e parou de pedir ajuda de 15 em 15 minutos para minhas irmãs ou para mim, e que aprende a usar e instalar seus aplicativos sozinha.

Essa autonomia que ela conquistou é resultado do trabalho de designers e desenvolvedores competentes que utilizam um dos princípios fundamentais do design de interface: Consistência. Ao criar apps que funcionam em harmonia com o sistema operacional, seguindo as guidelines e mantendo os fundamentos já difundidos, nós garantimos que o usuário não precisará aprender a usar o software do zero. Ele utilizará o conhecimento adquirido com o uso outro aplicativo da mesma plataforma, diminuindo o esforço e possíveis frustrações.

Esse é apenas meu pensamento inicial. É claro que existem aplicações que são feitas para usuários avançados, que estão preparados e dispostos a experimentar novas formas de realizar algumas funções e organização de informação.

Ousar é permitido e impressionar desejável, mas, sempre que for possível proporcionar independência ao seu usuário, não frustra- lo ou evitar que ele se sinta pouco inteligente, faça isso! Seja através da consistência da interface ou através de melhorias mudanças validadas com seus usuários.

Principalmente se você for iniciante, lembre-se: Nem sempre o diferente é o melhor!

:)

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